A partir de 15 de Fevereiro a 2 de Abril , estará patente a exposição nós, de Luísa Ferreira. A exposição consiste em 33 fotografias a cores, realizadas entre 2006 e 2009 e um filme, coluna vertebral, sobre um vale encantado. Sobre a série de fotografias nós, intervenção na paisagem, Luísa Ferreira afirma “O Homem deixa marcas por onde passa. Essas marcas podem ser passageiras, agressivas, ternas, enquadradas ou disléxicas. A Natureza tudo acolhe, respondendo com um reflexo na composição das imagens. O Homem deseja tudo abarcar com o seu olhar: paisagens, acções e o próprio olhar. Mas o Homem tudo esquece, não fossem essas próprias imagens”. O trabalho de Luisa Ferreira integrou a exposição Au Féminin, (uma História de mulheres fotógrafas desde 1850) com curadoria de Jorge Calado, no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, Paris, 2009.Publicou, entre outros, o livro Azul (2002) sobre os não-lugares, com texto de Agustina Bessa-Luís.Está representada em várias colecções de arte portuguesas e estrangeiras, nomeadamente AR.CO (Espanha), Câmara Municipal de Castelo Branco, Câmara Municipal da Figueira da Foz, Casa Fernando Pessoa, Centro Português de Fotografia, Encontros de Imagem de Braga, Festival de l’Image du Mans (França), Fundação PLMJ, Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Núcleo de Arte Contemporânea do CENTA, ICEP, Recorridos Fotográficos de ARCO (Madrid) e em várias colecções particulares.Pente 10 Fotografia Contemporânea | Travessa da Fábrica dos Pentes, 10 (ao Jardim das Amoreiras) | 3ª a Sábado, 15h às 19H30 | Lisboa | www.pente10.com
Programa integrado na exposição Às Artes, Cidadãos! Arte, Política, Globalização, até 13 Março. Activismo, cidadania, revolução, utopia, democracia, comunidade, são alguns dos conceitos subjacentes a este programa, estruturado de modo a incluir diferentes formatos - conferências, seminários, conversas, sessões de cinema e projectos performativos - na perspectiva de constituir uma plataforma de pensamento e de acção que cruze fronteiras disciplinares, geográficas e teóricas, sublinhando a relevância do político nas práticas artísticas da actualidade. Consulte aqui o programa.Museu de Arte Contemporânea de Serralves |Rua Dom João de Castro, 210 | Porto | Terça a Sexta das 10h às 17h | Sáb, Dom e Feriados das 10h às 20h | www.serralves.pt
Até 25 de Abril está patente a exposição Mappamundi. Um mapa é “uma representação gráfica de parte da superfície terrestre”. Para os historiadores, uma definição igualmente apropriada é que um mapa é uma construção social do mundo expressa através da cartografia. Longe de ser um simples espelho da natureza, do que é verdadeiro ou falso, os mapas reescrevem o mundo. Do outro lado, a criação artística é uma viagem no desconhecido. A arte – como o desenho, a pintura, a cartografia – pretende representar o mundo tridimensional em duas dimensões. A exposição pretende rever a presença permanente da cartografia na arte e pretende mostrar o modo como os artistas de hoje alimentam a sua prática de uma longa história cartográfica, ainda que nem sempre a conheçam. As suas obras evocam, contam uma densidade que é a nossa, quer se trate de colonialismo, de geometria ou de desenvolvimento tecnológico. Poderíamos dizer que cada obra contemporânea entra em diálogo com um mapa ou com mapas anteriores, seja para os completar ou para os contestar. Neste sentido, era inevitável abrir Mappamundi com um frente-a-frente entre a cartografia portuguesa do século xvi e a sua releitura contemporânea. Ao prestar homenagem a Lopo Homem, Adriana Varejão revela a força que surgiu desta confrontação: a delicada oval está lacerada, recosida, ensanguentada. Inúmeras ilhotas vermelho-sangue parecem resultar desta ferida. Outras costuras, menos visíveis, levantam a Ásia ou Novo Mundo, que não pára de deslizar até cercar o mundo inteiro, à maneira dos antigos mappamundi circulares. Tratar-se-á de Lucio Fontana, da ferida de Cristo, da escravatura sobre a qual assenta a nossa riqueza, do fim de um mundo centrado? Cabe a cada um de nós projectar-se e ler esta carta à sua maneira. Uma coisa é certa: a sua força assenta no contraste entre delicadeza e violência, ingenuidade e perfídia histórica. O trabalho de Adriana Varejão não ganha sentido senão na perspectiva da história da cartografia, aqui representada por três momentos, sendo um deles o trabalho fundador de Lopo Homem (Biblioteca Nacional de Portugal).A modernidade nem sempre está onde a esperamos encontrar. Mais do que nas imagens em 3D da net cartography, mais do que nos contornos rígidos de uma ciência demasiado segura de si própria, ela encontra-se talvez numa releitura do mundo invertido segundo José Monteiro Salazar (portulano da Sociedade de Geografia de Lisboa), ou naquele mapa anónimo, deliciosamente anacrónico, conservado no Instituto Geográfico Português: a página está recortada em cinco mapas encaixados, nos quais o «gran banco do baccalhao» se torna, ao centro, tão presente quanto a terra firme, uma espécie de espelho longínquo de Portugal.«Idéa geografica confuza das ilhas dos Açores»: Mappamundi não falharia o seu objectivo se conseguisse pôr no mapa algumas «ideias confusas» sobre o mundo, tal como ele está. Serão ainda apresentados na exposição uma selecção de obras dos 43 artistas .Legenda da Imagem: Adriana VarejãoMuseu Colecção Berardo - Arte Moderna e Contemporânea | Praça do Império | Lisboa | Aberto todos os dias da semana: 10h – 19h (última entrada: 18h30) | Horário alargado aos sábados: 10h – 22h (última entrada: 21h30) | Entrada gratuita | www.museuberardo.com
Em 1984 Paula Rego foi convidada a participar na exposição colectiva Nineteen Eighty-Four preparada pelo Camden Arts Center para assinalar a edição do livro homónimo de George Orwell, que em 1948 tinha escrito uma poderosa utopia crítica para um futuro próximo. A artista prepara uma pintura de grandes dimensões que designa por Proles Wall, resgatando para a narrativa a designação usada pelo escritor para se referir a proletariado mas sobretudo a complexa estrutura de tensões e relações de poder reveladas numa sociedade autoritária e auto-vigiada, agora revista de modo pessoal e transformador na compulsão do desenho. Proles Wall encerra e recomeça um novo ciclo de trabalhos na produção de Paula Rego. Culmina a série das Óperas, construídas em grande escala a partir dos libretos nos primeiros anos da década de oitenta, numa obra de dimensão impar que une o sentido da obra literária que lhe serviu de base ao seu olhar atento e crítico sobre a sociedade contemporânea. E projecta novos trabalhos como as séries Dentro e Fora do Mar ou Vivian Girls, soluções narrativas densas de personagens e enredos truncados em que a cor surge intensa, directa, como elemento constitutivo do desenho e da composição. Esta exposição, a terceira temporária dedicada a Paula Rego, assenta na presença axial de Proles Wall, um conjunto de 10 painéis da Colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, colocada em diálogo com obras da Casa das Histórias e integra o programa expositivo que marca o início do novo ano com o olhar curatorial da artista sobre o trabalho de outros artistas. A exposição Os Anos da Proles Wall, decorrerá a partir do dia 10 de Janeiro a 19 de Junho.
Legenda da imagem: Paula Rego, Proles Wall, 1984 (pormenor), Colecção CAM – Fundação Calouste Gulbenkian
CASA DAS HISTÓRIAS - PAULA REGO | Av. República, 300 | Cascais | O museu está aberto todos os dias e tem entrada gratuita.| Encerra às 18h no horário de Inverno até 30 de Abril |www.casadashistoriaspaularego.com