quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Galeria do Forte S. Jorge de Oitavas - Cascais

A partir de 14 de Janeiro a 30 de Abril estará a decorrer a exposição de pintura Winds of Change do artista José Carrasco. Carrasco afirma-se como autodidacta, de influências e estilos variados do clássico ao contemporâneo. No seu trabalho reflete uma busca permanente por novas técnicas, associadas à criatividade, procurando atingir um resultado original. A mistura de cores e texturas simboliza a diversidade obtida na passagem por diferentes lugares ao longo da vida.
Galeria do Forte S. Jorge de Oitavas | Estrada do Guincho | Cascais | Terça a Domingo das 10h às 17h

CAV Centro de Artes Visuais - Coimbra

O Centro de Artes Visuais apresenta Lighten Up, uma exposição de João Onofre, com curadoria de Marc-Olivier Wahler, que está patente até ao dia 27 de Fevereiro. Lighten Up reúne uma série de obras, datadas entre 2006 e 2010, nunca antes expostas como um todo em Portugal, revelando assim a consistência do corpo de trabalho de João Onofre. A exposição apresenta diferentes media, desde performance, desenhos baseados em texto, fotografia, até ao vídeo, através dos quais o artista tem vindo a articular o seu trabalho. No vídeo HD Untitled (Leveling a spirit level in free fall feat. Dorit Chrysler's BBGV dub), 2009, Onofre filma as cinco melhores tentativas num dia em manter direito um nível de bolha de ar em queda livre. Esta performance sisífica em filme, apresenta o tema Good Vibrations com interpretação e arranjos em Theremin, de Dorit Chrysler. A série em acrílico sobre papel de algodão (2007-2009), consiste em desenhos pretos, quase monocromos e idênticos, com transcrições precisas de diferentes momentos de músicas nas quais os vários cantores usam as palavras see e nothing. Como transcrições, estas frases são reescritas de modo fonético, longe da linguagem inglesa gramaticalmente correcta. Consequentemente, os respectivos desenhos promovem um mise-en-âbime, frustrando a possibilidade de encontrarmos um entendimento único para eles, tal como nos evidenciam a impossibilidade de fixar um sentido inequívoco para a contemporaneidade. A série fotográfica de formato documental, Every Gravedigger in Lisbon (2006), retrata homens e mulheres que trabalham nesta profissão em Lisboa. Cada modelo usa óculos de sol idênticos, que conferem um aspecto unificador aos diversos indivíduos e funcionam como elemento disruptivo no género da fotografia documental. No seguimento do mesmo eixo conceptual, será apresentado o filme HD Thomas Dekker, an interview (2006), que reflecte sobre a natureza da Imagem e sobre a produção das imagens. Uma nova performance, Untitled (La nuit n'en finit plus), 2010, será interpretada A Capella por Beatriz Mateus na inauguração, bem como durante e no encerramento da exposição. Legendada imagem: Untitled (Leveling a spirit level in free fall feat. Dorit Chrysler’s BBGV dub), 2009
CAV Centro de Artes Visuais | Pátio da Inquisição, 10 . Apartado 6026 | Coimbra | Terçaa Domingo das 14h às 19h

Ermida Nª Srª da Conceição Galeria - Lisboa

A Ermida Nª Srª da Conceição abre a programação de 2011 com a exposição da artista plástica Ângela Ferreira, Paradys escrito em afrikander e em homenagem à segunda casa de Gawie Fagan que se chama justamente paradys. A peça principal da exposição é uma escultura de um portal de entrada, uma escultura linear em madeira, equivalente a um desenho no espaço de quatro portas fechadas que visualmente definem um espaço enclausurado – paradys ou paraíso. Construída segundo as portas que o arquitecto Carlo Scarpa desenhou no final da Segunda Guerra Mundial para a Gallerie dell’Accademia, em Veneza, esta escultura convida-nos a um momento de reflexão entre o espaço e o tempo, entre a presença do velho e antigo e do novo, entre o usado e o ideal platónico da arte. A exposição está patente até 28 de Fevereiro.
Ermida Nª Srª da Conceição - Travessa do Marta Pinto, 21 | Lisboa (perpendicular à Rua de Belém) - Terça a Sexta das 11h às 13h e 14h às17h | Sábado e Domingo das 14h às 18h | Encerrado segunda-feira e feriados |www.ermidabelem.com

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Inter-Atrium Arte Contemporânea - Porto


A partir de 15 de Janeiro a 26 de Fevereiro estará patente a exposição de Martin Bradley, Aguarelas: 1990-2005. À primeira vista as obras de Martin Bradley podem induzir-nos no erro de as considerar ligeiras, sem reflexo. A sua frescura, a execução simplista, a vivacidade do colorido, a grande fantasia das composições, o aspecto simpático dos personagens como bonecos de diversão...a expressividade tão directa...tudo irradia espontaneidade e produz uma sensação de optimismo ingénuo, de alegria quase inconsciente. Contudo, se as observarmos com mais atenção, percebe-se que não é tudo tão evidente e simples. A profusão de grafismos, signos, símbolos e formas estranhas enevoam o seu significado, dificultam a sua compreensão. Pois, se para ele pintar, é tão fácil quanto falar ou escrever, através de formas e cores, o que na realidade importa, como em qualquer linguagem, é o significado dessas imagens que nos oferecem, desde divertidas críticas de costumes a profundas reflexões sobre o ser ou o tempo. Por vezes, o autor proporciona-nos pistas, algumas inclusivamente, por escrito, no próprio quadro, mas nunca teremos todas as chaves para entrar no enigma, decifrar os seus códigos, alguns de tal forma inconscientes que nem para ele são diáfanos. Todavia, a intuição da complexidade da sua obra não nos deve impedir de a desfrutar sem, contudo, cair em excessivo intelectualismo, basta com que abramos a nossa sensibilidade para que não fiquemos à superfície, além de que permite diversos níveis de leitura ( as crianças desfrutam ante estas obras que lhes sugerem mil e uma histórias) todos eles válidos, desde o mais imediato ao mais profundo. Nem sempre, a fonte, a origem de onde se alimenta e surge a obra de um artista, as influências, que se lhe pode notar, são conscientes, e muitas vezes tão somente, parecidos casuais. Na obra de Bradley parecem confluir um sem fim de elementos da cultura universal, da arte oriental e ocidental misturadas num fluxo de criatividade espantosa e inesgotável. Conhecendo o predomínio de escritores no seu circulo de amigos, não é de estranhar a sua predilecção pela literatura como fonte directa de inspiração que lhe sugere, quase dita, imagens. Neste campo, as suas preferências decantam-se pela narrativa fantástica, os contos japoneses e, sem dúvida, Lewis Carroll com Alice no País das Maravilhas, o qual teve ocasião de ilustrar com 64 litografias para uma Edição Especial de l’Imprimerie Nationale. Um repertório inesgotável de recursos pictóricos ao serviço da imaginação privilegiada de um fabulista que configura um universo dotado de um sentido filosófico profundo e ambientado num subtil sentido de humor. A pintura de Martin Bradley tornou-se uma espécie de mitologia pessoal com a sua própria iconografia e simbologia, actualizando algo tão intemporal como o surrealismo que sobrevive desde El Bosco, mas que, ao mesmo tempo apresenta uma visão comprometida do mundo em que actualmente vivemos. Com uma trajectória vital e artística, inseparável, formando uma metáfora de viajem, a viajem física ( observemos a frequente representação de barcos, comboios ou aviões) mas, também, a viajem de vivências, mental, de exploração (Marco Polo) e, a de engrandecimento espiritual na experiência (Ulisses), à qual se une o canto constante à universalidade, a uma humanidade unida na riqueza da sua própria diversidade, são, também, atributos que emanam da sua obra. Por tudo isto, podemos afirmar que este poliglota vocacional, viajante indómito e aventureiro desde a infância, sempre à procura da sua verdade e do conhecimento, simboliza com a sua pintura o espírito sincero e utópico de algo tão actual como a globalidade, mas não de uma globalidade falsa que obedece a interesses mercantis como aquela que nos querem impor, sim uma autêntica, de pessoas, costumes, culturas e línguas, capaz de diluir as barreiras do tempo, do espaço e das fronteiras. (Raquel Medina de Vargas|Doutora em História de Arte|Critico da Associação Internacional de Críticos de Arte)
Inter-Atrium Arte Contemporânea | Av. Boavista, 3041| Porto | Segunda a Sexta das15h às 20h| Sábado das11h às 13h e 15h às 20h | www.interatrium.com