quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Casa-Museu Teixeira Lopes - Vila Nova de Gaia

A Casa-Museu Teixeira Lopes, após período de encerramento para importantes obras de remodelação apoiadas por fundos comunitários, abriu as suas portas no dia 16 de Novembro de 2010 com a exposição, Arte Partilhada Millennium BCP - Abstracção. Nesta exposição estão patentes algumas esculturas do Escultor Manuel Pereira da Silva. Esta exposição itinerante, patrocinada pela prestigiada instituição bancária, que visa evidenciar o importante património artístico nacional, bem como contribuir para o enriquecimento cultural do país, reúne uma selecção de 74 pinturas representativas do abstraccionismo português e estrangeiro. Revestida de notável interesse pela diversidade de obras expostas, das quais se destaca um núcleo autoral significativo da pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, com doze pinturas. Para além desta, sublinha-se a presença de obras dos seguintes artistas: Alfred Manessier, André Lanskoy, Ângelo de Sousa, António Areal, António Palolo, Arpad Szenes, Artur Bual, Artur Rosa, Augusto Barros, Eduardo Batarda, Eduardo Nery, Fernando Aguiar, Fernando Lemos, Jorge Pinheiro, Júlio Pomar, Júlio Resende, Justino Alves, Luis Demée, Luis Dourdil, Manuel Cargaleiro, Manuel D"Assumpção, Mário Cesariny, Menez, Nadir Afonso, Nikias Skapinakisl, Paula Rego, Pedro Casqueiro, Serge Poliakoff, Teresa Magalhães, TOM e Zao Wou-Ki. A Exposição de Arte Partilhada não deixa de fora os mais novos. O Millennium BCP, a Casa-Museu Teixeira Lopes e a Gaianima, EEM, lançam um concurso denominado À Descoberta da Colecção Millenium BCP que propõe a realização de trabalhos criativos a partir das obras expostas na exposição. Os três melhores trabalhos individuais serão premiados, bem como haverá prémio de equipa para a Turma de Escola que se empenhar mais na apresentação de criações de Arte Partilhada. A mostra estará patente ao público até 30 de Janeiro de 2011 e a entrada é livre, realizando-se as visitas guiadas à terça-feira, das 14h às 17h.
Casa-Museu Teixeira Lopes | Rua Teixeira Lopes, 32 | V.N. Gaia | Terça a Sábado: 9h00 às 17h00 | Domingos e Feriados: 10h00-12h00/14h00-17h00 |
www.gaianima.pt/cmteixeiralopes

Cristina Guerra Contemporary Art - Lisboa

Até 15 de Janeiro de 2011 está a decorrer a exposição de pintura LA SILLA DEL DIABLO, de Juan Araujo. As imagens de Juan Araujo (Caracas, 1971) são uma profunda reflexão sobre a relação pintura-arquitectura que se expressa, frequentemente, através dos binómios ficção/realidade; bidimensionalidade/tridimensionalidade e imaterialidade/materialização. O seu jogo de associações, no entanto, não se esgota por aqui. Como material de trabalho Araujo utiliza registos que servem de intermediários entre as duas formas artísticas tais como reproduções de livros, fotografias digitais ou impressas, entre outros, constituindo um arquivo de obras fundamentais da História da Arte, à semelhança de um verdadeiro Museu Imaginário e que vão desde obras de grandes arquitectos (sobretudo sul americanos tais como Niemeyer, Acabaya e Barragan) a artistas plásticos (Alejandro Otero, Geraldo de Barros, Kandinsky, Calder, entre outros). Podemos, assim, afirmar que cada uma das suas obras é uma espécie de hipertexto. Para além de uma reflexão sobre o sistema artístico nas suas variantes, trata-se de, então, de uma meditação sobre a reprodutibilidade e, em última instância, sobre o lado simulacral e o estatuto actual da imagem. Neste aspecto, Araujo aproxima-se de Marcel Duchamp no conceito do ready made que, no entanto, ultrapassa com a recriação em pintura.
Não obstantes as referências externas, à primeira vista, o observador (incauto) pode percepcionar nas suas imagens um registo quase pessoal, numa atitude de diário gráfico de lugares percorridos que não deixam de ter uma certa ressonância “literária”. Esta qualidade misteriosa coloca-o perto de um realismo quase fantástico no sentido de deixar em aberto as possíveis interpretações, lançando a dúvida sobre o que se visiona.
As pinturas de Juan Araujo tratam-se, igualmente, de uma homenagem à forma como a globalização, enquanto movimento universal, se revela menos uniformizadora do que o idealmente pretendido. Os seus trabalhos são um hino à arquitectura latino americana e à maneira como esta, singelamente, interpreta aquele que foi um verdadeiro movimento internacional, carregado de uma utopia humanista: o Modernismo. O título desta exposição dá-nos, claramente, pistas sobre esta questão. La Silla del Diablo, é uma cadeira desenhada por Alexander Calder que homenageia Carlos Villanueva, arquitecto venezuelano que projectou a Cidade Universitária de Caracas, em 1954, propondo, para esta uma síntese das artes, uma Gesamtkunstwerk, convocando, para o efeito, artistas desde Calder, Arp, Vasarely, entre outros nomes do panorama artístico moderno internacional. Esta referência é uma metáfora para a obra de Araujo que é, igualmente, a tentativa através da pintura, da construção de uma obra total e é, simultaneamente, uma reflexão sobre a utopia falhada de um modernismo que invadiu a rural Venezuela para uso da ditadura vigente. Por último, esta peça é, igualmente, a introdução de uma forma geométrica num contexto natural biodiverso, aparentemente antagónico, trazendo à superfície as especificidades da arte do continente sul-americano: quente, exuberante, emotiva, intuitiva, contrariando, assim a racionalidade da disciplina do design modernista e, sobretudo, ocidental. Todavia, o funcionalismo desta cadeira é duvidoso por si próprio, dando a sensação de algum desconforto ou mesmo do perigo de queda, desviando a atenção da sua desejável ergonomia para a sua evidente estética ou, se quisermos, para a sua falha enquanto objecto funcional. Os trabalhos de Juan Araujo estão presentes em diversas colecções públicas e privadas, das quais se destacam Tate Modern, Londres; Museu du Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA); Museu de Arte Contemporâneo de Caracas, Centro Gallego de Arte Contemporáneo, Santiago de Compostela (CGAC); Inhotim, Centro de Arte Contemporânea, Belo Horizonte; Colecção Teixeira de Freitas, Lisboa; Colecção Carlos Rosón, Pontevedra; Colecção Eskandar & Fátima Malekl, Londres; Colecção Adriana Cisneros, Miami.
Cristina Guerra Contemporary Art | Rua de Santo António à Estrela , 33 | Lisboa | www.cristinaguerra.com

Museu Municipal e Galeria Municipal D. Dinis - Estremoz

Até 22 de Janeiro de 2011, está patente a mostra de pintura de Marian Van der Zwaan – High Heel Passenger.
High Heel Passenger é um projecto baseado no tráfico humano para a indústria do sexo e no rápido crescimento desta forma de escravatura. As pinturas são identificadas por sinais de trânsito estigmatizando o facto de como vivemos cada vez mais em função do reconhecimento de sinais e cores, os quais decidem o nosso sexo ou acções a tomar num curto período de tempo, durante o qual nos esquecemos de usar a nossa própria consciência e instinto, deixando-nos ser guiados pelas massas.
Marian Van Der Zwaan não usa retratos com o objectivo de não criar qualquer individualismo, sendo que cada obra poderá representar uma multiplicidade de seres humanos. Usando o corpo feminino ampliado mas com cores serenas para não fugir à beleza e estética da pintura, não existe um background no projecto High Heel Passenger, pretendendo-se que a figura principal seja objecto de análise sem qualquer distracção.
Museu Municipal e Galeria Municipal D. Dinis | Largo D. Dinis | Estremoz| www.museuestremoz.blogspot.com

Museu de Arte Contemporânea de Serralves - Porto




Inaugura no dia 26 de Novembro a exposição BES Revelação 2010 onde são apresentados os trabalhos vencedores de Mónica Baptista, Miguel Ferrão, Eduardo Guerra e Carlos Azeredo Mesquita. A exposição, comissariada por Margarida Mendes, poderá ser visitada até 16 de Janeiro de 2011. Cada um destes jovens artistas recebeu uma bolsa de produção no valor de 7.500 euros, para além da oportunidade única de mostrar o seu trabalho numa exposição conjunta a realizar num dos mais importantes museus nacionais de arte contemporânea. Mónica Baptista apresenta um filme em 35mm, uma edição frame-a-frame a partir de dezenas de rolos fotográficos em que regista momentos autobiográficos e viagens pessoais, numa tentativa de apropriação abstracta dos mecanismos da memória. Miguel Ferrão exibe uma série de trabalhos que tem como ponto de partida inúmeras sessões de observação enquanto ornitólogo amador na Tapada de Mafra, apresentando um vídeo, uma peça sonora e um texto que utilizam a ideia de relato e discurso como pontos de clivagem na possibilidade de uma inter-subjectividade inefável. Eduardo Guerra apresenta uma peça sonora a partir de excertos da Teoria da Cor de Goethe, questionando a actualização científica como mote central à definição da experiência congnitiva e sensorial. Carlos Azeredo Mesquita propõe a série fotográfica The Radiant City, elaborada a partir de urbanizações nos subúrbios de Budapeste, numa projecto que questiona as matrizes da fotografia panorâmica serialista e arquitectura contemporânea.
Museu de Arte Contemporânea de Serralves |Rua Dom João de Castro, 210 | Porto | Terça a Sexta das 10h às 17h | Sáb, Dom e Feriados das 10h às 20h | www.serralves.pt