sexta-feira, 15 de outubro de 2010

GALERIA SÃO MAMEDE - Lisboa


Até 11 de Novembro está a decorrer uma importante exposição da artista Ana Maria, intitulada Pintura, Chá e Amor a exposição é composta por 13 pinturas, 15 desenhos e 2 esculturas. Ana Maria convida o espectador a entrar no seu mundo através de um texto muito interessante do qual reproduzimos as primeiras linhas: “Foi no dia da passagem de todas as passagens que olhou a margem, expôs rios coloridos e descobriu a transparência, a leveza, e todas as coisas belas que puderes esperar. Não tinha medo de pintar. Nem sempre foi assim, noutros tempos vivia na ingenuidade, preocupada apenas com a evidência, produzia para existir. Não sabia que o tempo tornava a arte num mar grandioso de ondas contínuas sem descansar, sem sossegar, que o seu ”ser” se revelaria numa espiritualidade resistente, combatente, à custa de luta, da tensão e do desejo. ( ...)” Como referiu Rogério Ribeiro, “Ana Maria tem o sentido maior deste caminhar numa sublime paisagem – quase aérea, quase etérea – como se de um imenso rendilhado se tratasse. (...),espécie de continentes flutuantes que não procuram nenhum porto como morada. É um trabalho de minúcia exaustiva, de contenção cromática, caminhos de fragmentos que se alinham e desalinham, que se aproximam e se afastam, numa lógica que a própria pintura sustenta e alimenta. É um trabalho que não procura diluir fronteiras entre elementos – a terra e a água (o mar) – aqui assumidos como lugares simbólicos: a pintura alastra, quase tentacular, na tela.”
Galeria São Mamede | R. da Escola Politécnica, 167 | Lisboa | Segunda a Sexta das 10h às 20h e aos Sábados das 11h às 19 h | www.saomamede.com

Chiado 8 Arte Contemporânea - Lisboa

Até 23 de Dezembro está adecorrer a exposição Três degraus, uma laje, de Armanda Duarte. Ao longo de toda a sua actividade, a artista tem atribuído um papel determinante à especificidade do lugar que acolhe as suas peças. Partindo de um estudo pormenorizado das características arquitectónicas do Chiado 8, o projecto que a artista agora apresenta tem na volumetria e no revestimento das salas de exposição a matéria de base para um conjunto de peças alicerçadas nas noções de equilíbrio, modulação, repetição e performatividade. O trabalho que Armanda Duarte (Praia do Ribatejo, 1961) tem vindo a desenvolver desde meados da década de 1980 resulta de uma atenção que se divide por dois pólos de interesse radicalmente distintos. Por um lado, muitas das suas peças tomam como ponto de partida os mais discretos gestos do quotidiano, sinalizando as redes de cumplicidade e de troca que sustentam a nossa vida em comunidade. Por outro, a sua prática tem encontrado nos actos de medir, inventariar e categorizar, os instrumentos dilectos de uma observação paracientífica dos objectos que nos rodeiam. Da tensão gerada pelo encontro entre o rigor dos modelos científicos e o carácter afectivo das relações humanas, surgem esculturas, instalações e desenhos em cujas sobriedade e subtileza se esconde um intenso labor, ancorado num profundo respeito pela essência dos materiais e orientado por uma concepção intimista da experiência artística.

Chiado 8 Arte Contemporânea | Largo do Chiado, nº8| Lisboa | Segunda a Sexta-feira, das 12h00 às 20h00 | www.fidelidademundial.pt

GALERIA FONSECA MACEDO - Ponta Delgada

Até 13 de Novembro está a decorrer exposição intitulada, Englih as She is Spoke, composta de um filme e um conjunto de esculturas e desenhos que João Pedro Vale desenvolveu especificamente para a Galeria Fonseca Macedo. O projecto tem como base um guia de conversação do século XIX, intitulado ENGLISH AS SHE IS SPOKE – O Novo Guia de Conversação em Portuguez e Inglez, em Duas Partes” atribuído a Pedro Carolino e José da Fonseca. O livro é referenciado como um clássico humorístico pelo facto de conter uma infinidade de erros fonéticos e gramaticais que se devem ao facto dos autores não saberem falar inglês. Acresce ainda a dúvida sobre a autenticidade da co-autoria da obra. Este livro, como qualquer outro manual, teve como função auxiliar a comunicação, ou seja, concorrer para a integração daqueles que, desconhecendo a língua de um país de acolhimento, para onde emigraram, ultrapassam dessa forma as limitações que a adaptação impunha ao seu quotidiano. O que atravessa a diversidade de meios utilizados neste projecto é a identidade e a sua evocação frente ao desenraizamento cultural, à diferença social e à incomunicabilidade. O que interessa ao artista é reflectir sobre o universo em que detém o seu olhar, independentemente da técnica e dos meios escolhidos para representar o seu processo de questionamento. Os desenhos, sobre fundo negro, remetem-nos para um imaginário escolar, a ardósia da sala de aula (que podemos associar ao início do filme), mas simultaneamente para a maravilha da imagem (nocturna?) dos edifícios iluminados do Convento da Esperança, no Campo de S. Francisco, ou ainda para o dente de baleia que inscreve na memória colectiva a arte baleeira, internacionalmente conhecida pelo palavra inglesa scrimshaw, e que representa uma das mais expressivas manifestações culturais dos Açores. Tal como nos desenhos, em que a cultura popular e erudita se cruzam, o filme recupera referências do cinema, do teatro e da televisão. A acção decorre dentro de um espaço que se reorganiza como um palco de teatro, num campo de basquetebol, numa cela ou no quintal pobre de subúrbio. A iluminação dramática e nocturna tem uma nota de film noir, quase a preto e branco. Os diálogos, reescritos a partir do livro, têm como referência principal a série inglesa Follow Me, criada pela BBC Learning Television, mas, tal como acontece no livro, esses diálogos parecem quase perder o sentido. As palavras são repetidas como se fosse necessário forçar a comunicação, o que demonstra que a adaptação e a pertença a um lugar e à sua comunidade tropeçam na incomunicabilidade, na intolerância e no desfasamento temporal. Voltemos à ardósia negra para ver a mão escrever as palavras correctas no quadro, ou aos desenhos da galeria, que recuperam na nossa memória a identidade colectiva. (partido texto de João Silvério Setembro 2010)
Galeria Fonseca Macedo | Rua Dr. Guilherme Poças Falcão, 21 | PontaDelgada | Segunda à Sábado das 14h às 19h | www.fonsecamacedo.com

GALERIA ÁRVORE - Porto

Até 10 de Novembro está a decorrer a exposição de desenho, Todo este céu, de Cristina Guise. ÁRVORE – Cooperativa de Actividades Artísticas, C.R.L. Rua Azevedo de Albuquerque, nº 1 | PORTO | Segunda a Sexta das 09h30 às 20h00 | Sábados das 15h às 19h | Encerra aos domingos e feriados | www.arvorecoop.pt