sexta-feira, 13 de agosto de 2010

GALERIA PEDRO SERRENHO - Lisboa

Até 4 de Setembro está a decorrer a exposição colectiva, Mauna - Observar o silêncio. Artistas participantes: David Casta, Teresa Forbes, Cláudio Lima, Hugo Paquete e Carlos Sousa, cinco artistas plásticos formados na ESAD.CR
Em sânscrito, mauna significa a prática espiritual de observar o silêncio. O objectivo é o de pacificar a mente, em preparação para uma introspecção meditativa. Se todas as tradições espirituais favorecem momentos em que o silêncio revela um sentido profundo na comunicação, temos de distinguir sempre entre a disciplina que conscientemente observa esse silêncio e a mudez demasiado humana que possa advir da indiferença, da timidez, do ódio mais surdo. Tal silêncio não é naturalmente benéfico para o espírito e, na verdade, não é sequer verdadeiro silêncio. Para esta exposição, esse silêncio verdadeiro, que trabalha como sentido, pareceu-me poder ser um leitmotiv para imaginar um fio condutor entre os artistas participantes. Porque nas obras presentes há uma deliberada condensação do ruído social em formas aforísticas de convite à meditação, a uma meditação não verbal, ou talvez apenas minimalmente verbalizável. Apesar de os sinais do mundo estarem representados na materialidade destes objectos de arte – imagens de manchetes de jornais deterioradas pela manufactura pictórica, arquitecturas de areia em derrocada, máquinas absurdas realizadas com resíduos industriais, ícones visuais miseravelmente reproduzidos na mais pobre das superfícies – a nossa experiência desses signos e sua materialidade é mediada por uma poderosa sensação de distância entre arte e real que apenas a metáfora do silêncio torna operativa – uma aproximação talvez inconscientemente procurada pelos artistas.(Mário Caeiro -Lisboa, Julho 2010)
Galeria Pedro Serrenho – Arte Contemporânea | Rua Almeida e Sousa nº 21-A |Campo de Ourique | Lisboa | Terça a Sábado das 11h às 13h e das 14h às 20 h

sábado, 31 de julho de 2010

MUSEU COLECÇÃO BERARDO - Lisboa

Até 14 de Novembro está a decorrer a exposição WARHOL TV. Andy Warhol experimentou todos os meios de produção cultural, explorando áreas tão diversas como cinema, fotografia, pintura, música, vídeo e televisão. No final dos anos 60, porém, avisou os seus amigos e fiéis admiradores (e colaboradores) que iria dedicar-se à realização de filmes. A exposição Warhol TV, pretende mostrar essa faceta do artista pouco explorada e conhecida, quando comparada com as outras formas de Arte a que se dedicou. Marcou, no entanto, uma época na televisão americana, nas décadas de 70 e 80 do século XX. Esta mostra explora-as através de diferentes temáticas: as «soap operas» (Vivian's Girls, Phoney e Fight), a procura de talentos na canção, na moda e no cinema; o fascínio que Andy Warhol tinha pela beleza (e também pelos artistas e pela sua transformação), os minutos em que ficou (ainda) mais célebre, com a sua presença no programa Saturday Night Live, os programas Fashion (10 episódios sobre moda, criadores e manequins), que realizou para os canais por cabo, e Andy Wahrol's TV, onde foram entrevistados Steven Spielberg, John Waters, Duran Duran, Cindy Sherman, Larry Rivers, Bill Coppely, Keith Haring, Pee Wee Herman, Paloma Picasso, Issey Miyake, Debbie Harry, Divine, Sting e Georgia O’Keeffe. Em colaboração com o Museu Andy Warhol, de Pittsburgh (EUA). Museu Colecção Berardo - Praça do Império | Lisboa | Aberto todos os dias das 10h às 19h (última entrada às 18h30) | Sábados das 10h às 22h (última entrada às 21h30) | www.museuberardo.pt

GALERIA TRINDADE - Porto

Até 15 de Setembro está a decorrer a exposição, Obra sobre papel , artistas participantes: Paulo Capelo Cardoso, Brigitte Szenczi, Sara Bento Botelho Ricardo Gonçalves, Cláudia Melo, Maria Ortega, Juan António Mañas, Vera Pyrrait, Ricardo Leite, Pedro Bessa, Xai, Rogério Silva, Delfim Rodrigues, João Viana, Teresa Silva, Susana Lopes, Prudência Coimbra, Bela Silva, Susana Lemos, AlMa (Alvarenga Marques) Jorge Coimbra, Isabel Quaresma, Sarah Pirson, Sónia Gaudêncio, Catarina Garcia, Javier Riera, Rui Coutinho, Cristina Vela, Adriano Mesquita, César Veloso, Luís Silva Carvalho, Evelina Oliveira Os atributos lendários do papel devem-se sobretudo à sua longevidade e versatilidade; só aparentemente frágil enquanto suporte, servindo as mais diversas técnicas – entre escrita, imprensa, gravura, desenho ou pintura – o papel mantém-se desde a sua origem até ao nosso tempo, ao longo de mais de dois milénios atravessando águas, terras e atmosferas revoltas, nem sempre a salvo de fogos criminosos ou da voracidade cibernáutica. Não se tratando de pôr em evidência propriamente alguma eventual supremacia do suporte, os trabalhos aqui expostos – como seria de esperar da eclética assumida na sua selecção – respeitando apenas a imposição de serem sobre papel, estão livres de qualquer outra condição. Talvez tenha interesse reparar que, em maior ou menor grau – o suporte mantém-se sempre parcialmente descoberto (o que não acontece com outros suportes integralmente cobertos pela pintura). Mau grado adversidades e distâncias conceptuais, tal nudez parece funcionar aqui como factor de unidade do conjunto – como efémeros resíduos contíguos de um encontro universal entre artistas na areia molhada. Próprio do referido suporte, o pequeno formato permite assim incrementar a quantidade e a variedade. Desde intenções decorativas e ilustrativas a atitudes de maior risco, desde bonecos a desenho sério, a diversidade dificilmente podia ser maior. Fica ainda patente a possibilidade de estabelecer comparações, sobretudo no caso de artistas desta galeria, com a obra já conhecida em tela ou outros suportes. (texto de João Viana)
Galeria Trindade| Rua Miguel Bombarda, 200 | Porto |Segunda e Sábado das 15h às 19h | Terça a Sexta das 14h às 19h. | www.galeriatrindade.co.pt

Chiado 8 Arte Contemporânea - Lisboa


Até 17 de Setembro está patente a exposição Donnerstag e outros desenhos, de Jorge Queiroz, com curadoria de Bruno Marchand. Constituída por obras realizadas nos últimos três anos, essa exposição é a primeira individual em Lisboa nos últimos 15 anos, permite-nos acompanhar os desenvolvimentos recentes do seu trabalho e revisitar a vitalidade de um programa artístico assente em estratégias de fragmentação, no perpétuo embargo à estabilidade compositiva e na capacidade de promover tensões entre a ficção do real e a expressão do fantástico. A evolução que o seu trabalho conheceu nos últimos anos é o resultado de uma complexificação dos métodos que sempre adoptou e da absoluta singularidade do imaginário que desenvolveu. Em vez de testar os limites do universo por si criado, Jorge Queiroz parece investir na descida vertiginosa ao seu âmago, ao lugar onde todas as fronteiras se esbatem, onde toda a realidade é textura, cor, detalhe e pormenor, a compor uma irreprimível fluência visual, pensada e trabalhada no desenho e enquanto desenho. O trabalho de Jorge Queiroz conhece actualmente uma muito significativa circulação em galerias, instituições e certames internacionais, de entre os quais se destacam as suas participações nas bienais de Veneza, São Paulo e Berlim, em 2003, 2004 e 2006, respectivamente.
Chiado 8 Arte Contemporânea | Largo do Chiado, nº8| Lisboa | Segunda a Sexta-feira, das 12h00 às 20h00 | www.fidelidademundial.pt